3 dias na clássica Budapeste: Mochilão Parte V

Vindo da Romênia, mais especificamente da cidade de Cluj-Napoca, peguei um trem internacional com destino à cidade de Budapeste, capital da Hungria.

Em relação ao trem, o horário em que peguei foi bem ruim, saindo às 1h30 da manhã de Cluj, e chegando perto de 10h00 em Budapeste. O preço foi de cerca de 40 euros, sendo um dos trechos mais caros de minha viagem. Além disso, foi uma viagem bastante desconfortável  e cansativa, com cadeiras pouco amigáveis e várias paradas durante a madrugada. Entretanto, acabei escolhendo essa opção em detrimento do ônibus noturno (que é bem mais barato – cerca de 20 euros), porque a rodoviária de Cluj não me pareceu um local muito seguro para se estar pela noite. Assim, preferi gastar um pouco mais com o trem, que me deu uma maior sensação de segurança (sempre é bom confiar em sua intuição quando se viaja sozinho).

Agora sim, falando de Budapeste, a capital húngara é muito bela, rica de história e de arquitetura ímpar.

A história recente da Hungria é muito interessante, tendo sido parte do Império Austro-Húngaro, que foi derrotado na Primeira Guerra Mundial, juntamente com Alemanha e Império Otomano. Com a derrota, separou-se da Áustria, passando a ter o território que tem hoje. Na Segunda Guerra, novamente a Hungria se juntou a Alemanha, fazendo parte dos países do Eixo. Entretanto, após um ato que Hitler considerou como traição, o país foi invadido e anexado pelos nazistas. Nesse período, as perdas humanas para a Hungria foram terríveis, com centenas de milhares de mortos, sendo grande parte deles judeus. Estima-se que cerca de 450 mil judeus húngaros foram mortos durante o Holocausto. Além disso, Budapeste foi fortemente destruída, com pontes danificadas e diversos edifícios totalmente acabados.

Após o fim da Segunda Guerra, em 1949, instaurou-se o socialismo no país, sob forte influência da União Soviética. Apesar disso, não foram tempos fáceis para a população, que sofria muito pela medidas impostas pelo governo, controlado de maneira indireta pela URSS. Assim, em 1956, sob o governo de Imre Nagy ocorreu a chamada Revolução Húngara, que era basicamente contra o domínio soviético. Após cerca de 15 dias de conflitos e com intervenção militar soviética, a revolução foi suprimida e mais de 2500 manifestantes foram mortos. A partir daí, a repressão do governo aumentou ainda mais.

Em 1989, ocorreu o fim do socialismo no país, que levou a uma abertura econômica e política no país, como observado nos outros países da região. Já em 2004, o país entrou como membro na União Europeia e tem usufruído dos avanços gerados a partir disso.

Talvez por esse histórico bastante conturbado no país e bastante sofrido, (que nunca ganhou uma guerra na história, diga-se de passagem) atualmente as perspectivas políticas não são muito agradáveis. O atual presidente do país é Viktor Orbán, um nacional e ultraconservador que vem tomando medidas populista e xenófobas, com base nos valores cristãos. É para se ficar de olho…

Apesar de todos estes problemas em sua história, a Hungria é um país que merece uma visita. Só tive 3 dias no país, então aproveitei para focar na capital Budapeste e tentei desfrutar o máximo possível de suas belezas e pontos turísticos.

Budapeste é originou-se da unificação de duas cidades com características próprias: Buda e Peste, separadas pelo Rio Danúbio. Essa união ocorreu em 1873 e gerou uma cidade incrível, com diversos pontos de interesse que merecem ser visitados. Em Buda, destaca-se o castelo. Já Peste é o centro comercial da cidade, com um grande agito noturno.

A cidade é conhecida como “Capital Termal” devido aos inúmeros banhos termais ali existentes, herança dos romanos que colonizaram a cidade em 89 a.C. Também é chamada de “Paris do Leste” pelo seu charme.

Enfim, vamos aos pontos turísticos que Budapeste possui e que merecem uma atenção maior:

  • Pontes: como a cidade é cortada pelo Rio Danúbio, é preciso atravessar pontes caso você queira passar de Buda para Peste, ou vice-versa. Para isso, há mais de 6 pontes, e passar por elas já é uma atração a parte. Destaque para a Ponte das Correntes, primeira ponte a unir as duas margens do rio. É a ponte mais famosa da cidade e conta com esculturas de leões como ornamentação. Outra bela ponte é a Ponte da Liberdade, construída com ferro.
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Ponte das Correntes, com esculturas de leões que simbolizam a união de Buda e Peste

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Detalhe da Ponte da Liberdade

  • Bastião dos pescadores: localizado em Buda, no alto da colina do Castelo, esse belvedere possibilita uma ampla visão da cidade, incluindo o Rio Danúbio, além das pontes e de Peste. É uma visita obrigatória na cidade!

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  • Igreja de São Matias: localizada ao lado do Bastião dos Pescadores, em Buda, essa Igreja foi construída entre os séculos 13 e 15. A arquitetura é muito bonita, porém não a visitei por dentro, já que era necessário pagar (e não concordo com o pagamento para visita de templos religiosos).
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Igreja de São Matias

  • Citadella: localizada no ponto mais alto de Budapeste, na colina Gellert, conta com um complexo de atrações, que inclui fortaleza, mirante e uma estátua da liberdade. É um local interessante para se visitar, ainda mais pela maravilhosa vista que oferece.
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Estátua da liberdade na Citadella

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Maravilhosa vista a partir da Citadella.

  • Galeria Nacional Húngara: tem o melhor acervo de arte do país. Entretanto, o que mais se destaca é o edifício, antigo Palácio Real de Buda, que foi erguido na Idade Média.
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Detalhe do Antigo Palácio Real de Buda

  • Parlamento: um dos principais símbolos da cidade (não por acaso), o prédio do Parlamento húngaro é um belo edifício construído entre 1884 e 1902. É considerada a segunda maior casa parlamentar da Europa perdendo apenas para o Parlamento gigante de Bucareste, na Romênia. O prédio chega a 96 metros de altura e tem 691 salas, é bastante grande. Outra curiosidade é de que (segundo a lenda) o arquiteto responsável pela obra ficou cego antes de ver a conclusão do edifício.
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Parlamento húngaro

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Detalhes arquitetônicos do belo Parlamento húngaro

  • Basílica de São Estevão: localizada no centro da cidade, na parte de Peste, esta Basílica é a maior e mais importante Igreja de Budapeste. Foi construída entre 1851 e 1905, em homenagem ao rei que fundou o Estado húngaro. Reza a lenda que morreram dois dos três arquitetos responsáveis pela obra durante a execução do projeto, além do domo ter desabado. Além disso, algo muito peculiar da Igreja é que o local possui a chamada Capela da Mão Direita, que expõe nada mais do que a mão de São Estevão. Bem bizarro.

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  • Praça dos Heróis: localizada dentro do Parque da Cidade, esta praça possui o chamado Monumento Milenar, que comemora o milênio do primeiro assentamento magiar na cidade, e o Monumento de Heróis Nacionais, em seu centro.
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Praça dos Heróis e seus monumentos

  • Parque da Cidade: além destes monumentos, o Parque também conta com um zoológico, uma casa de banhos termais e um castelo, valendo a pena de ser visitado.
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Castelo Vajdahunyad, que hoje abriga o Museu  de Agricultura Húngara

  • Museu do Terror: antiga base dos nazistas durante a Segunda Guerra e da polícia secreta húngara durante o comunismo, essa casa serve como um memorial às vítimas destes regimes autoritários. É uma visita bastante pesada, porém que vale à pena conferir, já que faz com que a gente repense nossas atitudes para não voltar a realizar as mesmas coisas.
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Nazismo x comunismo

  • Memorial “Sapatos às Margens do Danúbio”: nessa mesma linha de homenagens a vítimas de regimes autoritários, há este memorial que busca homenagear os judeus assassinados no Danúbio entre os anos de 1944 e 1945. Dizem que homens, mulheres e crianças eram enfileirados à beira do Danúbio e obrigados a retirar seus sapatos, já que eram bens de valor na época. Após isso, eram mortos e seus corpos jogados no rio. É um registro muito triste, porém necessário, fazendo com que essa história nunca se apague.
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Memorial nas margens do Rio Danúbio. Muito triste, porém essencial.

  • Grande Sinagoga: maior sinagoga da Europa, foi construída em 1859. Apesar da importância, acabei não conhecendo por dentro, pois demandava um pagamento (não concordo com isso, como já expliquei acima).
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Grande Sinagoga (Fonte: Wikimedia).

  • Banhos termais: além das diversas atrações históricas e arquitetônicas, Budapeste também é conhecida por seus diversos banhos termais e medicinais, sendo utilizados há mais de 2 mil anos. Geralmente, a água tem temperaturas acima de 30°C, podendo chegar a mais de 40°C em alguns locais. Há vários banhos termais, com uma infinidade de preços e eu, como mochileiro, acabei escolhendo o mais em conta (na faixa de 16 euros): Rudas Banhos Termais. É um local bem antigo, datado do século 16 e muito bonito. Conta com 6 piscinas diferentes, com temperaturas que chegam a 42°C. Recomendo a visita!
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Vista interior do local (Fonte: Rudas Official Website)

  • Szimpla Kert: como recomendação noturna, sugiro este bar, localizado em uma construção em ruínas. É um local bastante diferenciado, que conta com vários ambientes e decoração bem única. A entrada é grátis.
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Decoração no Szimpla Kert, famosa balada de Budapeste.

Além dos pontos turísticos, outro ponto que merece destaque na capital húngara são as diversas comidas típicas que há. A mais famosa, de fato, é o goulash, um ensopado de carne com batatas e cebolas temperado com páprica (e que parece muito com uma carne de panela). Além dele, outro prato famoso que se pode encontrar é o lángos, uma espécie de pizza frita coberta com sour cream (recomendo ir no local mais tradicional da cidade, Retro Lángos Bufê). É muito pesada, porém com um sabor bem interessante. Caso não se interesse por estas comidas mais tradicionais e queira gastar pouco com uma comida muito saborosa, uma boa pedida é o Hummus Bar, rede de restaurantes que tem várias unidades na cidade e que tem um hummus delicioso. Não é nada húngaro, mas por que não provar?

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Lángos tradicional. Dá pra ver a quantidade de óleo, né?

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Goulash tradicional, bem saboroso também.

Visão geral

Budapeste é uma linda cidade e que merece pelo menos uns 3 dias de visita para ser apreciada com calma. Além disso, recomendo um Free Walking Tour para conhecer de uma forma mais aprofundada a história do local, visto que é bastante rica. Então minha dica é: vá, porque você não vai se arrepender!

 

 

 

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