Eslováquia e suas surpresas: Mochilão parte VI

Após visitar a capital húngara, Budapeste, uma cidade espetacular, chegou a vez da próxima capital ser conhecida: Bratislava. Peguei um busão que me custou uns 8 euros saindo de Budapeste e desembarquei na capital eslovaca depois de 5 horas de viagem.

Bratislava é a capital da Eslováquia, país que conta com cerca de 4 milhões de habitantes apenas. Estrategicamente localizada às margens do Danúbio, tem como vizinhas próximas às cidades de Budapeste e Viena, capital da Áustria.

A Eslováquia é um país bastante novo, sendo resultado da separação da Tchecoslováquia, em 1993. A língua é o eslovaco, um idioma praticamente igual ao praticado na vizinha República Tcheca.

Apesar de jovem no formato que apresenta atualmente, a Eslováquia, localizada entre a Europa Central e a Europa Oriental, é um país bastante rico em história. Entre os séculos VI e X, o território era ocupado por eslavos. Posteriormente, os húngaros dominaram a região. Estrategicamente, o território foi tão importante para Hungria que Bratislava foi sua capital durante 2 séculos (enquanto Budapeste foi ocupada pelos otomanos). Após isso, o atual território da Eslováquia ainda fez parte do Império Austro-Húngaro até sua dissolução 1918, ano em que foi criada a República da Checoslováquia.

A Eslováquia fez parte deste país grande parte do século passado. Um fato interessante é de que a Checoslováquia permaneceu como a única democracia em funcionamento na Europa Central e Oriental durante o entreguerras. Após a Segunda Guerra Mundial, porém, o país passou a ter um governo comunista, sob forte influência da URSS.

Somente em 1993 que o país com sua configuração atual conseguiu sua independência. Esta foi criada a partir de uma dissolução pacífica da Checoslováquia, conhecida como Divórcio de Veludo, que também originou a República Tcheca. Em 2004, a Eslováquia entrou na União Europeia e adotou o euro como sua moeda.

Já Bratislava, a capital do país, é uma cidade bastante simpática e muito agradável de se visitar. Possui um charme ainda não totalmente explorado por turistas que se lotam as capitais húngara e austríaca. Talvez por isso, esta cidade foi, para mim, uma grata surpresa na viagem. Sem muitos turistas, é possível caminhar com mais tranquilidade e desfrutar um pouco mais da viagem, observando os costumes locais e suas tradições.

Sobre Bratislava, é uma cidade pequena, comparável à tranquila Piracicaba no quesito de tamanho, já que tem apenas 450 mil habitantes. Apesar disso, conta com diversas atrações turísticas, que não ficam devendo em nada para outras cidades europeias:

Castelo de Bratislava: localizado em um morro próximo ao Rio Danúbio, este castelo possui quatro torres, que são o símbolo da cidade. Foi construído no século 11 e atualmente seu complexo abrange um museu de história e também alguns jardins, bastante conservados. Uma curiosidade é que, a partir do castelo, é possível observar no horizonte áreas pertencentes à Áustria e Hungria.

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Castelo de Bratislava

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Jardins do Castelo de Bratislava

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Vista a partir do castelo. É possível ver o Rio Danúbio, além do território austríaco e húngaro.

Museu da Cidade: este museu, localizado no prédio da antiga Prefeitura de Bratislava, datado de 1421, conta a história da cidade através de peças históricas, roupas e moedas. Além disso, em seu subsolo, há uma exposição bastante interessante (e também assustadora) sobre métodos de tortura empregados na Idade Média. Outro ponto legal da visita é a Torre, a partir da qual se tem uma linda vista do centro histórico. Compensa muito!

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Prédio de 1421 que abriga o Museu da Cidade

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Vista do centro de Bratislava a partir da torre do museu

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Detalhe do vitral do edifício

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Um dos diversos métodos de tortura vistos na exposição no calabouço do museu

Portão e Torre de São Miguel: é um dos quatros portões que rodeavam a cidade na época medieval, abrigando, atualmente, um museu de armas antigas. Foi construído no século 12 e é uns dos belos edifícios localizados na região central da cidade. Apesar de interessante, não o visitei, pois já tinha subido na Torre do Museu da Cidade.

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Torre de São Miguel ao fundo

Centro histórico: vale a pena uma caminhada para ver os diversos prédios históricos e ruelas simpáticas. Para conhecer mais sobre o centro, recomendo o Free Walking Tour. Foi o melhor Tour dessa modalidade que realizei na Europa e me possibilitou aprender muito sobre a cultura e história eslovaca, como também sobre os diversos pontos de interesse que há na cidade.

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Simpático centro de Bratislava

Estátuas: espalhadas pelo centro histórico, as peculiares e divertidas estátuas são uma atração turística à parte. Entre as mais famosas, estão o “Homem no trabalho”, que mostra um simpático trabalhador saindo do bueiro e espiando a cidade, o “Soldado de Napoleão”, que fica debruçado num banco e observando os turistas, e o “Papparazzi”, que está meio escondido tentando tirar fotos das pessoas. Sair caminhando pelo centro da cidade e buscando esses personagens é, com certeza, um dos passeios a serem feitos em Bratislava.

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Escultura “Homem no trabalho” no centro de Bratislava

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Escultura do “Soldado do Napoleão”, no centro de Bratislava

Palácio Grassalkovich: belo edifício construído em 1760, está localizado bem próximo ao centro. Apesar de ser o Palácio Presidencial, o presidente não mora nele, sendo utilizado somente para cerimônias com oficiais estrangeiros. Infelizmente, o Palácio não é aberto para visitação, porém é muito bonito de se ver.

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Palácio Grassalkovich e bandeiras da Eslováquia na frente

Igreja Azul: construída em 1913 em estilo Art Nouveau, essa igreja não poderia ter um nome melhor. Tanto dentro como na parte de fora, ela é completamente azul e bastante diferenciada. Mesmo não estando nos guias de viagem, uma passada por ela vale à pena!

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Igreja Azul de Bratislava

Ponte UFO: um dos símbolos de Bratislava, essa ponte que cruza o Danúbio liga o centro aos bairros mais distantes. Foi construída em 1972 e tem um formato bem diferente, que lembra um disco voador. Em seu topo, há um restaurante chique (inacessível financeiramente a mochileiros como eu).

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Eu e a Ponte UFO ao fundo

Castelo de Devín: distante 9 km do centro da cidade, este castelo é facilmente acessível através de ônibus (é bem fácil, só pegar o ônibus 29!). O local, situado na beira do Rio Danúbio, já foi uma importante base militar romana, possuindo, inclusive, uma capela cristã datada do século 4. Teve influência de todos os povos que ocuparam a região, que agregavam mais cômodos à construção, incluindo diversas torres. No século XIX, foi bombardeado por tropas napoleônicas, o que resultou nas ruínas que são vistas hoje. É uma visita que recomendo fortemente, não só pela parte histórica, mas também pela paisagem!

Além das atrações para serem visitadas, a Eslováquia também conta com uma culinária pra lá de interessante. Entre seus pratos típicos, tem o gazdovsky režen, que é basicamente um filé de frango à milanesa recheado com calabresa. Não é muito light, mas é gostoso para provar (comi no restaurante típico chamado Divny Janko e achei muito saboroso). Além desse prato, também é bastante conhecido o bryndzové halusky, uma espécie de nhoque com um queijo típico eslovaco, feito a partir de leite de ovelha.

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Gazdovsky režen: prato bem light

Para beber, prove a Kofola, uma Coca-Cola da época do socialismo que ainda faz sucesso por lá (não sei se é verdade, mas alguns eslovacos fizeram questão de me contar que a Eslováquia é um dos poucos países em que a coca-cola não é o principal refrigerante tomado). Pessoalmente, gostei e preferi em relação à coca normal, mas vai de cada um. Além da Kofola, também se bebe muita cerveja no país, como na vizinha República Tcheca. Elas são muito baratas e realmente saborosas, recomendo!

Kofola: a Coca comunista

Zlatý Bažant

Zlatý Bažant: a cerveja eslovaca mais famosa

Em relação às curiosidades do país, achei interessante uma tradição em específico que eles possuem. Na Páscoa, existe um costume de se jogar água nas costas de mulheres com um balde e depois bater em suas pernas com uma varinha. Teoricamente, isso é feito para purificá-las e espantar os males. O esquisito é que depois de fazer isso, os homens ainda ganham presentes, como ovos pintados e licores. De acordo com os eslovacos, as mulheres chegam até a ficar chateadas quando não recebem visita da galera pra jogar água nela.

Realmente, é bem peculiar, mas essa é a graça de viajar. Conhecer coisas diferentes e distantes da nossa realidade é uma das coisas que me motiva bastante para conhecer novos lugares.

Visão geral

De forma geral, a Eslováquia foi um país que me surpreendeu muito e que me deixou com gostinho de quero mais. Como só fiquei dois dias, não pude conhecer muito além da capital e seus arredores. Mesmo assim, recomendo demais a visita, ainda mais se tiver Praga, Budapeste ou Viena no seu roteiro (já que essas cidade são bem próximas a Bratislava)!

Caso tenha dúvidas, sugestões ou críticas, comente abaixo!

 

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