Eslovênia e suas belezas naturais: Mochilão parte IX

Após cerca de 1 semana na Áustria, e já chegando próximo ao fim da viagem, foi a vez de visitar o segundo país dos Bálcãs incluído no roteiro do mochilão (depois da Bulgária): a surpreendente e bela Eslovênia.

 

Desde que comecei a pesquisar sobre locais que gostaria de visitar, a Eslovênia parecia um lugar muito interessante de se ir, principalmente pelas belezas naturais que possui, como lagos, cavernas e cachoeiras.

Localizado no norte dos Balcãs, e fazendo fronteira com Itália, Áustria, Croácia e Sérbia, a Eslovênia (não confundir com a quase homônima Eslováquia) é um país minúsculo. Possui apenas 2 milhões de habitantes e é do tamanho do Sergipe, menor estado do Brasil.

Mesmo assim, é um lugar impressionante e incrível, que merece uma visita.

Sua história está muito atrelada à influência de países próximos, como Itália, na região oeste, Áustria, no norte, e Sérvia, ao sudeste. Habitada por tribos célticas séculos antes de Cristo, o território foi anexado pelo Império Romano entre os séculos I e V. Posteriormente, chegariam os eslavos, povo que deu origem ao país.

Ao longo dos séculos, o território esloveno foi dominado por diversos povos. Foi parte da chamada República de Veneza, depois passou ao Império Austro-Húngaro, pertenceu ao Reino da Iugoslávia (no período interguerras), e depois finalmente foi uma das repúblicas componentes da República Iugoslava, no período socialista, entre 1945 e 1991.

Em 1991, após eleições (e uma guerra que durou apenas 10 dias), a Eslovênia finalmente tornou-se um país independente, sendo parte da União Europeia desde 2004.

Devido a esse mix cultural, somado às belezas naturais, a Eslovênia pode ser encarada como uma joia na Europa, ainda pouco explorada pelos turistas.

No total, acabei ficando 5 dias no país, visitando alguns dos pontos que mais me despertaram interesse. Além da capital Liubliana (em esloveno Ljubljana), também queria visitar os lagos Bohinj e Bled, além do estreito litoral esloveno, visitando a cidade de Piran.

Como eu estava próximo a Klagenfurt, no sul da Áustria, optei por iniciar a viagem visitando os lagos do norte do país.

Para isso, peguei um ônibus de Klagenfurt com destino a Kranj, uma simpática cidadezinha em que fiquei por cerca de uma hora e que pareceu muito receptiva ao turismo, com algumas atrações interessantes.

De Kranj, peguei ônibus para Bled, primeiro destino “oficial” no país. A cidade parece ter saído de algum tipo de conto de fadas. Lago com água cristalina, castelo no topo do morro e uma bela igreja localizada em uma ilha no meio do lago. É um lugar indescritível!

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Lago de Bled, com seu castelo no morro. Simplesmente lindo.

Pontos de interesse na cidade:

Castelo: localizado numa montanha 130 metros acima do nível do lago, sua construção se iniciou em 1011. Atualmente, possui um museu dentro, porém o que vale a pena mesmo é subir até o local para contemplar a vista.

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Vista a partir do castelo: os alpes julianos ao fundo contrastando com o belo lago

Igreja Nossa Senhora do Lago: localizada numa ilhota no meio do lago, essa igreja data do século 12. Para chegar até ela, é possível alugar caiaques ou ir em barcos. Entretanto, como mochileiro pão-duro, acabei não atravessando o lago para visitar a simpática igrejinha devido ao preço salgado.

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Igrejinha em uma ilha no meio do lago.

Lago: sua água é cristalina, o que torna, pelo menos no verão, o local super convidativo para um mergulho. Apesar de possuir alguns locais em que se tem que pagar para nadar, ao caminhar um pouco ao longo da orla, é possível encontrar locais para entrar e se refrescar. Além de nadar, caminhar ao longo do lago é outro passeio imperdível, que vale muito a pena. O lugar é lindo!

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Caminhando cerca de 10 minutos ao redor do lago, se chega a esse deck, que permite mergulhos no lago

Bolo de Bled: bastante famoso na região, esse bolo não me pareceu nada de mais. É basicamente uma torta de massa folhada superestimada. A receita original é do Park Hotel, mas é possível encontrar a iguaria em vários restaurantes da cidade.

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O superestimado bolo de Bled.

Após 1 dia apenas em Bled, rumei para o meu top destino da Europa, que eu queria muito visitar após observar fotos: Lago Bohinj. Acabei criando muita expectativa pelo local e, felizmente, ela foi atendida.

O local não oferece muita estrutura para turistas mais exigentes, porém a paisagem e a natureza não deixa nada a desejar.

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Lago maravilhoso!

Para explorar a área ao redor do lago, recomendo alugar uma bicicleta no centro de informações (cerca de 10 euros para 4 horas). Além de alugar bicicletas, lá também é possível deixar a mochila. Uma mão na roda para quem não quer levar peso durante o passeio!

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Nada como um rolê de bike em meio às florestas eslovenas

Bem próximo ao lago, após uns 30/40 minutos de pedalada, há a cachoeira Savica, que custa 2,50 euros para ser visitada. É um local único, indescritível. Paisagem magnífica, água verde, florestas ao redor. Um lugar perfeito. Vale muito a pena!

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Cachoeira Savica. Infelizmente não é possível entrar na água, mas o visual compensa, sem sombra de dúvidas.

Além disso, também recomendo nadar no lago. A água é verde, cristalina e de lavar a alma. Um local que ficará para sempre guardado na minha memória. Recomendo muito!

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Nessa foto, dá para ter uma noção da cor da água…

Para fechar, mais uma experiência que tive e que recomendo é fazer um piquenique na orla do lago. Nada como comer um sanduíche (econômico) observando aquela paisagem maravilhosa.

Infelizmente, fiquei apenas um dia no lago Bohinj, mas lá há várias opções de camping. Vai acabar ficando para a próxima, já que adorei o lugar…

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Afinal, tem como não se encantar com essa paisagem?

Após o lago Bohinj, a próxima parada seria a capital da Eslovênia, Liubliana, conhecida como a Veneza dos Balcãs.

A cidade tem uma história arquitetônica muita interessante, já que grande parte de sua modelagem atual se deve ao arquiteto Jože Plečnik, que tem basicamente mais importância pra cidade do que Gaudí tem para Barcelona. Sua marca registrada são as colunas, que podem ser vistas em diversas partes da cidade, como pontes, praças e edifícios. Liubliana também é famosa por possuir o centro com a maior zona livre de carros na Europa. Todos andam a pé ou de bike (seria muito legal se fosse assim em SP também…)

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Praça central de Liubliana: para alegria dos pedestres, totalmente livre de carros

Em relação aos principais pontos turísticos a serem vistos na cidade, destaque para:

Castelo: local que já serviu como residência real e forte militar, o castelo de Liubliana teve sua construção iniciada no século 16. Localizado no alto de um morro, oferece uma vista muito bonita da cidade. No complexo, há exposições, lojas, café e restaurantes. Para subir até lá, recomendo seguir a agradável trilha que passa por um parque.

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Castelo de Liubliana

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Vista a partir do Castelo de Liubliana

Pontes: certamente, entre as principais atrações da capital eslovena, encontram-se as pontes. A Ponte Tripla, localizada próxima a Praça do Congresso, é composta , como o nome já diz por 3 pontes, idealizadas por Plecnik. Já a Ponte dos Açougueiros é a mais recente (finalizada em 2010) e possui estátuas humanas peculiares. A outra ponte famosa da cidade é a Ponte do Dragão, de 1910, e que conta com quatro dragõezinhos simpáticos guardando a travessia.

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Praça do Congresso: local histórico, foi onde líderes europeus se reuniram após o fim das guerras napoleônicas. O prédio onde ocorreu a reunião pertence hoje à Universidade de Liubliana. Além desse edifício, a praça ainda conta com a Filarmônica da Eslovênia, localizada em um belo prédio.

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A bela e importante Praça do Congresso.

Biblioteca da Universidade de Liubliana: obra do famoso arquiteto, por fora, parece uma biblioteca comum, porém, por dentro, o local surpreende. A entrada é constituída basicamente por mármore negro, que representa as trevas da ignorância. Ao subir, porém, é atingido uma área com mármore branco, que simboliza o conhecimento. Uma metáfora muito louca, porém bem legal para se visitar na cidade. Infelizmente não foi possível tirar fotos lá dentro…

Parque Tivoli: principal parque da cidade, foi criado em 1813 e oferece aos visitantes um momento de tranquilidade em meio a seus 500 ha. Entre os lagos, caminhos e bosques, há espaço para o museu de história contemporânea. Vale a visita!

Além dos pontos turísticos, também aproveitei Liubliana para conhecer um pouco mais da noite eslovena. Fui com minhas amigas em 2 festas: Skeleton, que é bastante conhecida por sua decoração fantasmagórica, e depois na Cirkus, uma balada bem maior. A noite da capital pareceu muito divertida, porém, devido ao cansado acumulado ao longo da viagem (e por eu não curtir muito baladas), acabei não ficando muito tempo festando…

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Balada Cirkus em Liubliana

Após 2 dias em Liubliana, que acredito ter sido tempo suficiente para visitar a agradável capital eslovena, chegou a hora de rumar para o oeste, onde se localizam as praias eslovenas.

Após a separação da Iugoslávia, a Eslovênia acabou não tendo muita sorte no que se refere a acesso ao mar. Enquanto sua vizinha Croácia conta com mais de 526 km, a Eslovênia só possui cerca de 47 km de mar… Uma curiosidade é de que, devido à proximidade com a Itália, a maioria dos eslovenos falam italiano nessa região.

Apesar da estreiteza, essa parte do país é maravilhosa, contando com belíssimas praias, além de cidades bastante antigas, com uma arquitetura e um ar medieval. Felizmente, por ter me hospedado na casa de uma local, acabei tendo a chance de passear por quase todas essas cidadezinhas, que possuem, cada uma, seu charme.

Destas, a cidade mais mais conhecida, e consequentemente mais turística, é Piran. Do tamanho de uma vila, com apenas 4000 habitantes, a cidade parece parada na época medieval. Entre seus principais pontos turísticos, estão a Catedral de São Jorge, que tem uma torre inspirada na Catedral de São Marco em Veneza, além da praça central e da praia, que não possui areia, mas que, em compensação, tem um mar num tom esverdeado muito bonito.

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Vielas medievais de Piran

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Mar Adriático e seus tons de azul e verde

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Praça principal de Piran: arquitetura veneziana

Além de Piran, também dei uma passada em Izola, que é outra cidade bonitinha para se dar um passeio.

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Por do sol à beira da Marina de Izola

Por fim, também visitei Koper, que é a maior cidade da região, e que conta com ônibus regulares ligando a cidade à cidade italiana de Trieste. O principal ponto de interesse da cidade é a praça principal. Além disso, a cidade ainda conta com uma espécie de praia, que não é tão agradável para se nadar.

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Praça principal de Koper

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“Praia” de Koper: pouco lotada, né?

Visão geral

De uma forma geral, a Eslovênia me surpreendeu muito, atendendo às minhas expectativas. Além de cidades bastante bonitas, conta com atrações naturais incríveis e bastante diversas, mesmo com um território tão pequeno. É possível cruzar o país e, em apenas 2 horas, ir dos belíssimos lagos dos Alpes Julianos à bela costa eslovena.

No que diz respeito à culinária, a Eslovênia não deixa a desejar, tendo grande parte de seus pratos típicos de origem eslava. Entre as comidas tradicionais, destaque para o saboroso burek (massa folhada com carne, queijo e vegetais), o Ćevapčići, acompanhado de pão pita, além de diversas carnes, como linguiças e também outras mais exóticas, como a carne de cavalo.

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Levando em conta tudo que disse acima, em relação à história, arquitetura, comida e paisagens, recomendo fortemente que visite e desbrave esse pequeno país tão encantador. Vá a Eslovênia que certamente não se arrependerá!

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