Visitando o oeste alemão: Heidelberg, Stuttgart, Bonn, Colônia e Essen

Logo após uma visita a Trier, que me surpreendeu bastante positivamente, foi a vez de explorar e conhecer outras cidades alemãs que se localizam ali próximo do oeste do país.

Para definir do meu roteiro, eu praticamente vi onde eu tinha amigos e quis visitá-los. Por isso, a viagem não ficou propriamente turística, apesar de ter visitado locais bem interessantes. Como um amigo de Trier estudava em Heidelberg, esta foi a primeira cidade que visitei. Tendo como base essa cidade, fizemos um bate-volta de um dia pra Stuttgart. Depois, peguei um ônibus pra Bonn, onde uma amiga vivia, e fizemos um bate-volta pra Colônia. Por fim, minha última parada foi Essen, onde uma outra amiga vivia.

Assim sendo, esse roteiro vai do sul para o norte, passando por algumas cidades mais conhecidas, e outras nem tanto.

Aqui está o mapa do passeio:


Heidelberg

A cidade pela qual comecei o tour foi Heidelberg, localizada no Estado de Baden-Württemberg. Heidelberg é bastante conhecida por ser uma cidade universitária, uma vez que um quarto dos seus 160.000 habitantes é composto por estudantes. Fundada em 1386, sua universidade é a mais antiga da Alemanha e uma das mais prestigiadas na Europa.

Além de sua universidade longeva, a cidade também é muito conhecida por possuir um casco histórico intacto, sendo uma das poucas cidades alemãs que não foram bombardeadas na Segunda Guerra Mundial. Devido a isso, muitas de suas atrações resistiram ao tempo e são um museu vivo.

Vamos aos principais pontos de interesse:

  • Castelo: construído inicialmente no século 13 e reformado em diversas outras ocasiões, está localizado no topo de uma colina com uma vista deslumbrante sobre a cidade. Foi a residência de príncipes e reis ao longo de vários séculos e hoje é o principal ponto turístico da cidade.
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Vista do centro histórico a partir do castelo de Heidelberg

  • Ponte Velha (Alte Brücke): de construção mais recente do que outros monumentos da cidade, foi finalizada em 1788, conectando o centro histórico ao outro lado da margem do rio Neckar. Destaque para a estátua de macaco segurando um espelho (?), com a qual diversos turistas tiram foto (eu não tirei porque não entendi nada…)
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Ponte velha (que não é tão velha assim, comparada com a cidade)

  • Mirante (Königstuhl): com 567 metros de altitude, é uma montanha que oferece um belo local para piquenique, onde muitos residentes locais vão aos fins de semana para apreciar a vista da cidade. A vista a partir do castelo é mais bonita, porém o local é lotado de turistas. Para um local mais tranquilo, suba até esta colina.
  • Cidade velha: com certeza, um passeio imperdível é sair para caminhar pela cidade sem muito rumo. Seu centro histórico barroco, com belas construções, e com o imponente castelo ao fundo, é uma atração à parte, que merece ser explorada.
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Centro de Heidelberg, com castelo ao fundo

  • Hoffenheim: bastante próximo a Heidelberg, está localizada a cidade de Hoffenheim, cujo maior ponto de interesse é seu time de futebol. Por esse motivo, acabei indo assistir um jogo da Bundesliga (o campeonato alemão) entre a equipe local e Schalke 04, um time mais famoso. Acabou 2×0 pro Hoffenheim e foi uma boa experiência pra ver uma partida de uma outra liga. Dica: os valores são bastante salgados, então busque comprar antecipadamente pra economizar um pouco – coisa que não fiz…
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Hoffenheim 2 x 0 Schalke 04

Stuttgart

Como está localizada a pouco mais de 100 km de Heildeberg, a próxima cidade a ser visitada foi Stuttgart, em um bate-volta de apenas algumas horas. Mesmo com o pouco tempo, deu para ter uma boa noção da cidade, que se mostrou muito diferente de Heidelberg.

Tive a impressão de Stuttgart ser uma cidade bem maior e muito mais moderna. De fato, possui 600.000 habitantes e é bastante cosmopolita, tendo cerca de 40% de sua população descendente de imigrantes. Além disso, Stuttgart é uma cidade muito importante em termos industriais, sendo a sede de importantes empresas como Porsche, Bosch e Mercedes-Benz. Talvez por este motivo, a cidade, assim como muitas outras cidades alemãs, foi arrasada por bombardeios na Segunda Guerra Mundial.

Sendo assim, as atrações da cidade são menos históricas e mais modernas, como pude observar na minha rápida passagem por lá:

  • Biblioteca municipal: finalizada em 2011, reflete bem a modernidade que a cidade transparece. Lá, há livros em diversas línguas, além de outros materiais que podem ser consultados. Não se paga nada para entrar e é bem bonita.
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Biblioteca municipal de Stuttgart

  • Staatsgalerie: fundado em 1843, é o museu mais importante da cidade. Possui obras de Miró, Mondrian, Picasso, Dalí e muitos outros pintores famosos. Lá, é possível ver obras que vão desde o século 15 até os dias atuais. Destaque para a recente aquisição do museu “Girl with Balloon”, a polêmica obra de Banksy.
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Icônica obra de Banksy “Girl with Balloon”, que foi destruída logo após sua aquisição em leilão. Seria isso arte?

  • Outras atrações: Stuttgart conta ainda com os museus da Porsche e da Mercedes-Benz, que fãs de carros podem gostar. Também possui algumas belas praças e parques, que servem como área de lazer para a população local, como a Palace Square, situada no coração da cidade. Além disso, há o restaurante Alaturka, que possui um dos mais famosos kebabs da região. Comi lá e recomendo!
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Saborosíssimo kebab do Alaturka, um dos mais famosos da região.

Após visitar Stuttgart e Heidelberg na região de Baden-Württemberg, chegou a vez de subir um pouco e ir para o estado mais populoso da Alemanha: Renânia do Norte-Vestfália (Nordrhein-Westfalen), conhecendo as cidade de Bonn, Colônia e Essen.

Bonn

Com uma população de aproximadamente 300.000 habitantes, Bonn é uma das mais antigas cidades alemãs, tendo sido fundada pelos romanos no século 1 a.C. É muito conhecida por ter sido a capital da Alemanha Ocidental enquanto o país estava dividido. Atualmente, ainda possui algumas agências governamentais, apesar da sede do governo ter se mudado para Berlim em 1990.

A cidade possui muitos prédios administrativos que parecem, de certa forma, burocráticos, além de um centro bastante agradável. Bonn também é a sede de importante organizações, tais como a DHL, empresa de logística, e de diversas agências da ONU e outras ONGs, como o FSC.

Entre seus principais pontos de destaque, estão:

  • Casa de Beethoven: tal como Trier, terra natal de Karl Marx, Bonn também possui um cidadão ilustre: Ludwig  van Beethoven, ilustre compositor e pianista. O músico nasceu em 1770 em uma casa no centro de Bonn, que hoje abriga um museu dedicado ao artista.
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Casa onde nasceu Beethoven – atualmente, o local é um museu

  • Centro histórico: Além da casa onde nasceu Beethoven, o centro histórico de Bonn conta com outras belas construções, incluindo o prédio principal da universidade da cidade, além da Catedral e do prédio da Prefeitura (Rathaus). Vale uma caminhada por suas ruazinhas.
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Detalhe da Catedral da cidadde

  • Museu da História da República Alemã: é um ótimo museu (grátis!) que conta a história do país, desde a Segunda Guerra, até os tempos atuais, passando pelo Holocausto, pela divisão do país e por sua reunificação. É um museu muito completo que explica de forma impecável a história do país. Recomendo a visita.
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Um dos pôsteres que estão expostos no museu. É autoexplicativo.

  • Rheinaue: o maior e mais famoso parque da cidade está localizado à beira do rio Reno, bem próximo aos edifícios da ONU e da DHL. Como fui no outono, as árvores estavam perdendo suas folhas num tom alaranjado e o local estava encantador.
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Parque Rheinaue no outono.

Colônia

Como Bonn está bastante próximo à Colônia, peguei um trem para fazer um bate-volta e poder ver um pouco da cidade pela noite. Köln (o nome da cidade em alemão) é a maior cidade da região e conta com 1 milhão de habitantes. Possui muitas atrações, o que, certamente, ajuda na fama da cidade entre os turistas.

Tal como Stuttgart, também sofreu muito durante a Segunda Guerra, sendo em grande parte destruída. De qualquer forma, a cidade hoje se reestruturou e conta com várias opções de passeio, além de um dos carnavais mais famosos da Europa.

Como fui à cidade somente por algumas horas, somente caminhei pelas suas ruas centrais e vi um pouco da arquitetura. Seus principais pontos de interesse são:

  • Catedral (Dom): é, sem dúvidas, a grande atração da cidade. É uma das catedrais góticas mais famosas do mundo e não é à toa. Sua construção demorou mais de 630 anos para ser concluída, e hoje seus detalhes são impressionantes, desde os vitrais até os mosaicos no chão. Felizmente, a igreja foi poupada na Segunda Guerra, sendo uma das poucas edificações na cidade que teve essa sorte.
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Catedral de Colônia iluminada à noite.

  • Outras atrações: além da catedral, um passeio imperdível na cidade é uma caminhada ao longo do rio Reno. Colônia ainda conta com um parque bastante visitado, o Rheinpark, e com uma infinidade de museus, incluindo um de arte medieval, um de arte moderna e um centro de documentação do nazismo, localizado no prédio onde ficava a Gestapo, além de ruínas que remontam à época romana da cidade.

Essen

Após Colônia e Bonn, segui para Essen, a última parada nessa viagem pela Alemanha.

Oitava maior cidade do país, com 600.000 habitantes, Essen não é uma das cidades mais turísticas que há. Essen está situada na região de Ruhr, que foi um importante polo de produção de aço e extração de carvão no século passado.

Durante a Segunda Guerra, devido à sua importância industrial, foi sacudida por bombardeios dos aliados, sendo um alvo recorrente. Devido a isso, não há muitas construções históricas na cidade, já que muitas foram completamente destruídas.

Atualmente, a região passa por um período de reestruturação após o declínio do aço e carvão, mas continua sendo sede de algumas importantes empresas alemãs, tal como a ThyssenKrupp.

Essen, em si, não é muito turística, porém há nos seus arredores alguma opções interessantes de locais para serem visitados:

  • Lago Baldeneysee: bastante próximo à cidade, este lago está localizado no sul de Essen e é perfeito para caminhadas. Também são oferecidos passeios de barco nos meses de verão.
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Lago Baldeneysee, nos arredores de Essen

  • Parque Heisinger Ruhraue: bem perto do lago citado acima, esse parque de 150 ha tem uma ótima atmosfera para relaxar, seja lendo um livro ou fazendo esportes ao ar livre.
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Por do sol no belo parque Heisinger Ruhraue

  • Complexo Industrial Zollverein: considerado a maior atração turística da cidade, esse local abrigou atividades de mineração de carvão até 1986, quando foi fechado. Atualmente, abriga um centro cultural, com diversas opções de lazer. Infelizmente, não consegui visitá-lo, mas parece um local bastante interessante.
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Detalhe do Complexo Industrial Zollverein (Fonte: Thomas Wolf)

Visão geral

De forma geral, a Alemanha me agradou. Há uma boa quantidade de locais turísticos para serem visitados, sejam eles mais antigos ou modernos. Pude perceber, também, a grande influência da Segunda Guerra Mundial na arquitetura do país, que teve que ser praticamente reconstruído devido a perdas por ataques aéreos. A exceção fica pela agradáveis cidades de Heidelberg e Trier, que contam com edificações antigas que sobreviveram à guerra.

Outro fator que pude perceber foi o adensamento populacional da região que visitei. As cidades são muito próximas umas das outras e praticamente não há uma zona rural muito grande. Por conta disso, congestionamentos são comuns, mesmo nas famosas autobahn, autoestradas onde é possível alcanças altas velocidades.

Em relação à culinária, esta é bastante similar à comida alemã que podemos encontrar no Brasil. Diversas variedades de salsicha (clara, escura, grande, pequena, fina, grossa, etc) ou joelho de porco, acompanhadas por chucrute, são muito comuns. Também se come muita batata. Aqui vão algumas fotos de pratos que provei:

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Wurstsalat: nada mais do que uma salada fria de salsicha… Não curti muito.

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Os tradicionais joelho de porco e linguiças grelhadas, acompanhados de uma cerveja.

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Flammkuchen: nada mais do que uma pizza alemã. Gostei, porém a italiana é bem melhor.

Para acompanhar esses pratos nada leves, as cervejas alemãs se saem muito bem. De forma geral, a cerveja é de alta qualidade e sai bem em conta. Para aqueles que curtem, é possível experimentar diversas variedade da bebida no país.

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Uma cerveja de trigo sempre vai bem!

No final, acabei gostando muito de visitar a Alemanha e tenho planos pra visitar outras cidades, como Berlim. E você? Tem perguntas ou sugestões sobre o país?

Se tiver, pode deixar um comentário abaixo! 🙂

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