Explorando Belém: Roteiro de 2 dias na capital paraense

Como parte de uma visita à Floresta Amazônica em 2018, tive a oportunidade de explorar Belém, a capital paraense, por um fim de semana. Apesar de possuir diversas atrações, este tempo me pareceu suficiente para se ter um panorama geral da cidade e poder conhecer um pouco mais dela.

Segunda maior cidade da região Norte do Brasil, atrás somente de Manaus, Belém conta com cerca 1,5 milhão de habitantes e uma rica cultura. A cidade foi fundada pelos portugueses em 1616, estando localizada às margens da baía Guajará, ao nordeste da Floresta Amazônica.

Belém é uma cidade que reflete a mescla dos portugueses com os indígenas. A culinária local é fortemente influenciada pelos ingredientes amazônicos, incluindo peixes, raízes e frutos da região. Além disso, na parte cultural e artística, a cidade também tem traços bastante peculiares. Os ritmos musicais mais populares, por exemplo, incluem o brega e tecnobrega, carimbó e marujada. Já na área da medicina popular, há várias plantas, sementes e extratos provenientes da floresta que podem ser encontrados em Belém.

A arquitetura da capital paraense também se destaca em uma visita ao local. No centro histórico, há diversas construções coloniais, como casarões e igrejas, que dão um charme especial à cidade. É muito interessante observar o contraste entre tais construções, de influência portuguesa, e a cidade propriamente dita, que se localiza no bioma amazônico, e que conta com um povo com fisionomias mais indígenas.

Depois dessa breve introdução, vamos aos principais pontos turísticos que podem ser explorados em 2 dias na cidade:

  • Mercado Ver-o-Peso: de longe, é a atração turística mais conhecida de Belém. O movimento deste mercado municipal começa bem cedinho, ainda de madrugada e vai até o período da tarde. Lá, é possível se encontrar de tudo. Além de peixes amazônicos, como dourado, pirarucu e tambaqui, suas barraquinhas também vendem frutas (pupunha, cupuaçu, açaí…), castanhas (do pará, de caju…), raízes, ervas, óleos e artesanato da região. Lá, também são vendidas comidas típicas paraenses, como os tradicionais tacacá e maniçoba.
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Óleos e extratos variados da Amazônia, no Mercado Ver-o-Peso, em Belém.

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Manga espada e pupunha à venda no Mercado Ver-o-Peso, em Belém.

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Castanhas variadas no Mercado Ver-o-Peso, em Belém.

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Sementes e óleos de frutas amazônicas, no Mercado Ver-o-Peso, em Belém.

  • Estação das Docas: localizada bem próxima ao Mercado Ver-o-Peso, é um complexo turístico-cultural que conta com uma enorme variedade de restaurantes, além de algumas lojinhas. O local, que antigamente era o Porto de Belém, foi completamente restaurado há alguns anos e hoje é um dos locais mais gourmetizados da cidade. Uma dica é tomar uma cerveja na Amazon Beer, que tem vários sabores de cervejas com ingredientes regionais.
  • Forte do Presépio: localizado à beira do rio Guamá, o forte oferece uma bela vista do Mercado Ver-o-Peso. Foi construído para proteger Belém de invasões e data do ano de fundação da cidade (1616).
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Forte do Presépio, em Bélem, com o Rio Guamá ao fundo.

  • Catedral da Sé: datada de 1748, esta igreja é barroca por fora e neoclássica por dentro. Na parte interior, há um conjunto de belos candelabros que iluminam a igreja.
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A branca e bela catedral da Sé de Belém, no Pará.

  • Parque Emílio Goeldi: com mais de 5 hectares em plena área central, este parque é um dos mais importantes espaços verdes de Belém. Possui espécimes de árvores amazônicas, como sumaúmas gigantes, e animais do bioma como a onça pintada e a arara. É um passeio imperdível em Belém.
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Onça pintada no Parque Emílio Goeldi, em Belém.

  • Basílica de Nossa Senhora de Nazaré: considerada a principal igreja da cidade, o santuário foi erguido no local onde teria sido encontrada a imagem de Nossa Senhora de Nazaré por Plácido José de Souza em 1700. Hoje, é um importante centro de fé cristã. Faz parte, anualmente, do Círio de Nazaré, em que mais de 2 milhões de pessoas participam de uma procissão que levam a imagem da Santa da Catedral de Belém até a Basílica.
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Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, Pará.

  • Theatro da Paz: inspirado no Teatro Scala de Milão, este teatro remonta à época do auge da borracha na região, tendo sido construído em 1878. Há visitas guiadas para conhecer seu interior, porém não pude visitá-lo devido ao tempo apertado. De qualquer forma, parece ser um passeio legal.
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Fachada do Theatro da Paz, em Belém do Pará.

  • Ilha do Combú: localizada do outro lado do Rio Guamá, esta ilha é um local totalmente diferente de Belém, apesar de ainda pertencer ao município. Há muita vegetação nativa, que nos faz relembrar que realmente estamos na Amazônia. A ilha conta com muitos barzinhos e restaurantes, que servem petiscos típicos com cervejas geladas. Para chegar até a Ilha do Combú, pegam-se barcos na Praça Princesa Isabel, no bairro do Condor. O trajeto leva cerca de 15 minutos, é muito bonito e bem barato (custa apenas 5 reais). Com certeza, é um passeio que vale a pena, tanto para se refrescar no rio, como para conhecer áreas mais naturais próximas à cidade.
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Paisagem da Ilha do Combú, em Belém. Lá, é possível nadar e se refrescar no rio.

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Por do sol no trajeto entre a Ilha do Combú e a Praça Princesa Isabel.

  • Outros passeios: além dos locais que visitei, outras possibilidades quando se visita Belém é esticar o passeio para os seus arredores, incluindo a Ilha de Marajó, que fica a três horas de barco de Belém. Outras opções incluem passeios para o povoado de Boa vista do Acará, onde se pode provar cacau e castanhas colhidos na hora, e para Icoaraci, onde há feiras de artesanato.

Visão geral

Sem dúvida nenhuma, Belém foi uma cidade que me surpreendeu muito. Foi a primeira vez em que estive na Amazônia e explorar sua cultura e seus encantos foi algo muito agradável – ainda que por pouco tempo.

Para mim, um dos aspectos que mais me interessaram foi sua culinária, tão distante e diferente daquela que encontramos aqui em São Paulo, e a qual estou habituado. Há uma  grande variedade de ingredientes diferenciados que servem de base para a culinária paraense. Entre eles, a maniva, folhas da mandioca brava moída; o tucupi, sumo derivado da mandioca brava (que na natureza é venenoso e que deve passar por um processo para eliminar o acido cianídrico nele presente); e o jambu, erva típica da Amazônia que deixa a boca dormente, são alguns dos ingrediente usados nos pratos paraenses.

Entre os pratos mais populares, estão o vatapá paraense, o pato no tucupi, a maniçoba (uma espécie de feijoada feita com maniva) e o tacacá (caldo quente que leva goma de mandioca, camarão seco, jambu, tucupi e pimenta-de-cheiro). Infelizmente, não tive a oportunidade de provar todos estes pratos, mas consegui experimentar o tacacá e o vatapá e gostei muito. Foi uma experiência gastronômica única, muito especial, que realmente valeu a pena.

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Vatapá paraense, que leva jambu e camarão seco.

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Tradicional tacacá servido na cuia. Uma das comidas mais típicas de Belém.

Além dos pratos típicos, algo que também me chamou a atenção foram as frutas regionais. Por todos os cantos é possível encontrar sucos de cupuaçu, graviola, bacuri e muitas outras frutas até então desconhecidas por mim. Entre as várias frutas existentes, a mais consumida de todas é o açaí, consumido em Belém tanto como acompanhamento de pratos (com farinha e peixe, por exemplo), como também como sobremesa. Pude experimentar o açaí e é totalmente diferente daquele que comemos no Sudeste. Além de não levar açúcar, tem um gosto mais forte e muito mais saboroso do que aquele que comemos com banana e granola. O preço também é inacreditável: o litro do açaí puro custa em média 6 a 7 reais apenas! É algo imperdível para provar quando se visita a região.

Conclusão

Belém me deixou com gostinho de quero mais. A atmosfera desta cidade em plena Amazônia é incrível. Foi uma ótima viagem para reforçar que o Brasil é enorme e que cada local possui suas tradições e peculiaridades. Depois de visitar Belém, admito que tive vontade de explorar um pouco mais a Amazônia. Infelizmente, porém, não tive tempo nesta viagem. De qualquer forma, já está na minha lista de locais para voltar quando for possível.

Belém é uma cidade que merece uma visita. O conjunto de seu clima, arquitetura, pessoas e culinária me surpreendeu muito. Tenho certeza que os viajantes que visitam a região também serão surpreendidos. Conheça Belém! Vale muito a pena!

No caso de dúvidas ou sugestões, pode deixar seu comentário abaixo! 🙂

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