Relato de viagem pela América do Sul: 16 dias na Bolívia e no Peru – PARTE 2

Esse post é a continuação do relato do mochilão que fiz na Bolívia e no Peru em 2015/2016. Para acessar a primeira parte deste relato, clique aqui.

Esta segunda parte vai focar nos últimos dias do passeio, a partir do momento que chegamos em Cusco, no Peru. Como é de praxe para viajantes que visitam a cidade, aproveitamos para também conhecer Machu Picchu, uma das 7 Maravilhas do Mundo.

Pois bem, aqui vai o mapa do trajeto que percorremos desde que chegamos em Cusco até a volta para o Brasil. Novamente, as linhas pretas se referem a aviões que pegamos e os caminhos em azul se referem aos ônibus que utilizamos:

Como no post anterior, vou tentar descrever como foram nossos dias na viagem, com bastantes detalhes, principalmente no que se refere ao custo. Só para se ter uma noção dos custos, o câmbio na época era de 0,82 nuevos soles para cada real.

Dia 12 – 06/01

Novamente chegando cedo numa cidade, desembarcamos do ônibus na rodoviária de Cusco às 5h da manhã. Pegamos táxi até a Plaza de Armas (2,50 soles p/ pessoa), que fica bem no centro da cidade e chegamos no Hotel del Inca, que saiu 25 soles por pessoa por noite em um quarto quádruplo, com banheiro compartilhado. Logo depois, fechamos o pacote para visitar o Machu Picchu com a empresa Qori Inka Travel (muito boa por sinal) por 75 dólares (= 256 soles) para o dia seguinte. O pacote incluiria quarto com banheiro privado e AC, transporte ida e volta de van até a hidrelétrica, 3 refeições e entrada no sítio arqueológico de Machu Picchu com um guia. Depois, rodamos a cidade em busca de um restaurante para comer e acabamos comendo num lugar médião, que era um pouco caro. Comemos bife à cavalo e ceviche por 20 soles e pudemos provar a famosa Inca Kola.

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Inca Kola: tradicional refrigerante peruano de cor radioativa.

Depois, ainda seguimos para a rodoviária comprar uma passagem de ônibus para La Paz, que saiu em 70 soles. Teoricamente, a passagem seria em ônibus cama na maior parte do trajeto (darei mais detalhes sobre o ônibus já já). Para fechar o dia, além de comprar um suéter tipicamente peruano (27 soles), ainda visitamos o Monumento de Pachacuteq (2 soles), uma grande estátua de bronze dedicada ao líder do Império Inca entre 1438 e 1472. Para a janta, encontramos um restaurante que servia o menu com entrada e prato principal (7 soles), mas que não estava muito boa.

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Monumento de Pachacuteq, em Cusco, Peru.

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Cusco visto de cima do Monumento de Pachacuteq.

Dia 13 – 07/01

Acordamos cedo e tomamos o café continental que o hotel oferecia (basicamente pão com manteiga e/ou geleia). O motorista da van nos buscou no hotel e nos levou a pé até a van que nos levaria para a hidrelétrica. [Só para explicar rapidamente, há algumas formas de ir para Machu Picchu. Uma delas é ir de trem, que é bastante caro. Outra é por meio de trekkings de 3 a 4 dias, que também custam caro e demandam tempo. A forma mais econômica – e obviamente escolhida por nós – foi ir de van até uma hidrelétrica e depois caminhar pelos trilhos do trem até Aguas Calientes, o povoado que serve como base para se visitar Machu Picchu]. Saindo 8h15 de Cusco e almoçando no caminho, chegamos umas 15h na hidrelétrica.

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Saindo da hidrelétrica e seguindo os trilhos do trem rumo a Aguas Calientes.

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Caminho pelos trilhos do trem. Geralmente, é bem tranquilo.

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Mas vez ou outra aparece um trem… É melhor, então, tomar cuidado.

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Caminho até Aguas Calientes, saindo da hidrelétrica.

Após uma caminhada de 10 km seguindo trilhos de trem, chegamos em Aguas Calientes. Esperamos pelo guia, fomos para o hotel, jantamos uma janta meia-boca que nos deram e fomos dormir para acordar (bem) cedo no dia seguinte – quando finalmente visitaríamos Machu Picchu.

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Todos acabados ao chegar em Aguas Calientes…

Dia 14 – 08/01

Acordamos às 3h50 da matina para ir até Machu Picchu. [Aqui vai mais uma explicação. De Aguas Calientes até Machu Picchu, é possível ir à pé, subindo uma escadaria de 1,7 km (grátis) ou ir de ônibus, que saía na época 12 dólares o trajeto. Obviamente, pela condição financeira na época, optamos pela primeiro opção – que foi cansativa, mas bem legal]. Saímos do hotel, comemos um lanchinho rápido e fomos até uma ponte onde deveríamos esperar até às 5h da manhã para poder subir a escadaria rumo à Machu Picchu. Eu e Renê, um dos meus amigos, levamos 1 hora para subir e chegamos 6h05. Esperamos juntar todo o grupo e saímos para a visita guiada às 6h40, que foi até umas 9h00 (infelizmente tem que ser assim cedo porque depois ainda tem o trajeto de van de volta até Cusco no mesmo dia).

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Machu Picchu e seus detalhes. É incrível a perfeição dos blocos que formam o sítio arqueológico.

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Terraços onde se plantava batata em Machu Picchu, no Peru. O Império Inca foi um percursor no melhoramento genético do tubérculo.

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A clássica foto de Machu Picchu, no Peru.

Ficamos por conta própria dando umas voltas até 10h30/11h, quando começamos o martírio de volta à hidrelétrica. Descemos a escada até a ponte (mais 1,7 km) e começamos nossa caminhada de volta até a hidrelétrica (uns 9 km), que durou 2 horas com uma pausa para apreciar a cachoeira que tem no caminho.

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Caminho para pedestres para subir a Machu Picchu. São 1.700 metros de lances de escadas para chegar à cidade perdida.

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Caminho de volta para hidrelétrica. Nesse dia andamos facilmente mais de 15 km.

Chegando na hidrelétrica, pegamos a van para Cusco às 14h e, após muito tempo neste transporte pouco confortável, chegamos na cidade (somente às 20h). Todos estávamos acabados ao chegar no hotel. Por isso, depois de um banho, todo mundo capotou – menos eu que tinha fome. Descobri um ótimo restaurante próximo do hotel: o Business Café Snack, que me serviu a melhor comida peruana que comi na viagem. O menu saiu somente 8 soles e era delicioso. Depois de comer, o cansaço bateu e também capotei. Foi um dia bem longo.

Dia 15 – 09/01

Acordamos renovados, após um dia anterior movimentado, e saímos em busca de museus pela cidade. Infelizmente, todos eram pagos, menos o Museu do Café, que foi bem legalzinho (apesar de ser mais uma loja do que um museu propriamente dito). As igrejas também eram pagas, então acabei nem visitando também – sempre de acordo com meu princípio de me recusar a pagar para entrar numa igreja.

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Basílica Catedral de Cusco, que fica em um dos lados da Plaza de Armas, no centro da cidade.

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Igreja da Companhia de Jesús, também no centro de Cusco, no Peru. No dia, estava tendo uma apresentação de um tipo de folclore local.

Caminhamos bastante pelo simpático centro de Cusco e fomos, inclusive, surpreendidos por um cabrito disfarçado de lhama, com quem o Morfina (um de meus amigos na viagem) tirou foto e teve que pagar 2 soles como “propina voluntaria” – foi o famoso pega-turista-bobo.

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Cabra disfarçada de lhama num clássico esquema pega-turista. Na foto, 2 turistas que foram ludibriados e coagidos a dar uma “propina voluntaria” para as moças peruanas.

Acabamos almoçando de novo no Business Café Snack, que saiu 10 soles com ceviche + sopa de camarão + arroz com mariscos. Simplesmente sensacional. Ainda demos mais uma volta pela cidade para comprar souvenirs antes de voltar ao hotel para jogar cartas. Para nos despedirmos de Cusco ao melhor estilo, jantamos no mesmo local do almoço, que, mais uma vez, estava muito bom. Pegamos um táxi para rodoviária e depois embarcamos no busão cama, para encarar uma interminável viagem de 17 horas até La Paz…

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Arroz com mariscos em um restaurante sensacional de Cusco, no Peru.

Dia 16 – 10/01

Chegamos em Puno umas 6h da manhã e tivemos que esperar até 7h30 para seguir viagem de novo. Seguimos nesse ônibus cama, que era bastante confortável, até Copacabana. Em Copa, após atravessar a balsa, trocamos de transporte para um ônibus que teoricamente seria cama (mas era um busão péssimo; a poltrona nem reclinava direito e não tinha muito espaço para as pernas). Essa segunda parte da viagem parecia de filme: o ônibus parava e cada vez mais entravam passageiros, que ficavam de pé no corredor. Só faltaram as galinhas…

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Ônibus mais desconfortável de toda a viagem, que deveria ser cama, mas não era.

Pegamos muito trânsito para chegar em La Paz, até que o fizemos perto das 17h30. Esfomeados, fomos almoçar novamente na pizzaria Mozzarella (recomendamos a pizza meat + meat), que saiu 21 BOL. Depois, pegamos um táxi sinistro caindo aos pedaços até o aeroporto de El Alto, nos arredores de La Paz, que ficou em 10 BOL por cabeça. Voamos com a cia. aérea Boa (78 USD por pessoa) até Santa Cruz de la Sierra. O voo foi bem rapidinho, cerca de 50 minutos, e chegamos em Santa Cruz perto de 23h. Como nosso voo só partiria no dia seguinte meio dia, improvisamos um alojamento e dormimos ali mesmo no aeroporto.

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E o caótico trânsito em La Paz, na Bolívia. Essas vanzinhas estão em absolutamente todos os lugares do país.

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Alojamento improvisado no aeroporto para esperar o voo do dia seguinte. Pelo menos, a gente tinha saco de dormir…

Dia 17 – 11/01

No último dia de viagem, só ficamos aguardando nosso voo de volta ao Brasil. Depois de acordar várias vezes durante a noite, acordamos umas 7h da manhã e ficamos fazendo hora até poder despachar os mochilões às 10h. Com apenas 20 BOL no bolso, embarquei, mas não pude ser muito feliz na parte de embarque: só deu para comprar uma empanada e um sorvete. Logo depois, entramos no avião, que decolou perto de 13h00, chegando em São Paulo às 17h30.

FIM

Visão geral

Como o primeiro mochilão que fiz na vida, essa viagem foi sensacional. Visitamos lugares históricos, sítios arqueológicos e também fizemos esportes de aventura. Com certeza, foi uma viagem que valeu muito a pena e da qual vou me lembrar para sempre.

A Bolívia é um país bastante singular. Apesar das recentes melhorias sociais que o país teve na última década, ainda é um país bastante pobre. Nas periferias das cidades é possível observar muitas casas com tijolos à mostra e ruas pouco asfaltadas. Seu povo, apesar de todas as dificuldades, parece muito feliz e as pessoas sempre foram bastante simpáticas com nós. É bastante interessante, inclusive, o modo em que vivem, vestindo roupas tradicionais (como as tradicionais cholitas) e acreditando em bastante superstição (o que os fetos de lhamas provam na Calle de las Brujas, em La Paz). Em relações a suas atrações, a Bolívia tem muito a oferecer. Acabamos focando em Sucre, Salar de Uyuni, La Paz e Isla del Sol devido à restrição de tempo. Outras cidades, porém, parecem ser muito interessantes, como Cochabamba e Potosí, e também podem ser inseridas nos roteiros de viagem pelo país. Um ponto positivo de viajar no país é o custo baixíssimo: hospedagem, passagens de ônibus e comida são sempre muito baratos. O que fica a desejar em alguns momentos é a infraestrutura do país, já que não são incomuns as estradas em péssimas condições, que podem atrasar as viagens, além do saneamento básico. Nós, inclusive, ao visitar o país, só tomávamos água de garrafa, de modo a evitar intoxicações, que são comuns por parte dos turistas. De qualquer maneira, a Bolívia é um país surpreendente, que vale a pena visitar. Gostamos muito e recomendamos!

Já o Peru é um país mais desenvolvido que a Bolívia, porém também apresenta algum grau de pobreza, como grande parte dos países da América Latina. Os peruanos, assim como os bolivianos, também são muito prestativos e bastante simpáticos com os turistas. O país me pareceu muito mais preparado para o turismo no que se refere à infraestrutura, o que também acaba se refletindo no número de turistas que o país recebe anualmente. Machu Picchu sozinho, por exemplo, recebe em torno de 1,5 milhão de turistas ao ano. Por conta desta estrutura um pouco mais avançada, o país também já é mais caro do que a Bolívia. Na época em que fomos, transporte rodoviário, hospedagem e comida também não eram nada caros. A cozinha peruana, inclusive, que leva muitos frutos do mar e peixes, é reconhecida internacionalmente como uma das melhores do mundo. Mesmo restaurantes simples servem comidas maravilhosas, sendo este um dos encantos do país. Além da comida, o Peru também conta com muitos atrativos. Pelo tempo, só visitamos Cusco e Machu Picchu, mas o país ainda tem a Linha de Nazca, a Montanha das 7 Cores, além de muitos outros sítios arqueológicos e cidades interessante, como Lima. Certamente, é um país que merece uma atenção especial dos visitantes, já que oferece muitas atrações, desde os Andes até a Amazônia.

Essa viagem foi espetacular – e espero que esse relato tenha dado uma impressão de como curtimos nosso primeiro mochilão.

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