Uma semana em Tokyo: o que fazer na capital japonesa?

Capital e mais importante cidade japonesa, Tokyo é uma cidade enorme. Conta com uma população de mais de 13 milhões de pessoas no município e de 37 milhões em sua região metropolitana, sendo esta a área metropolitana mais populosa do mundo – só como comparação, a região metropolitana de São Paulo (que já é muito grande) possui 20 milhões de habitantes.

Como toda grande cidade, Tokyo possui muita coisa para ver e diversos pontos de interesse, que merecem uma atenção especial por parte dos turistas. É realmente curioso observar a mescla entre tradição e modernidade que a capital japonesa oferece.

Cidade que antigamente era uma pequena vila de pesca até o século XVI, Tokyo foi elevada à condição de capital japonesa durante a Era Meiji, em 1869. No século passado, com o passar do tempo, Tokyo continuou crescendo, apesar de duas catástrofes que destruíram a cidade: um terremoto em 1923, que matou 140.000 pessoas, e os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, cujo número de mortes pode ter chegado a 200.000. Apesar desses percalços, Tokyo conseguiu se reconstruir e cresceu constantemente após o final da Segunda Guerra. Para se ter uma ideia, a população da capital japonesa era de 3,5 milhões em 1945; 25 anos depois, em 1970, esse número já havia ultrapassado a marca de 11 milhões.

Como o Japão está localizado muito longe do Brasil, quase tudo no país me pareceu diferente. Por isso, só o fato de visitar Tokyo e observar seus habitantes já seria uma atração para mim. Entretanto, como a cidade tem muito mais a oferecer, vou destacar aqui os principais pontos de interesse da capital japonesa:

  • Akihabara: é o principal bairro otaku da cidade, que vende várias coisas relacionadas a videogames, mangás, animes e desenhos animados. Para mim, seria como a 25 de março japonesa, já que é o lugar onde também se pode comprar eletrônicos variados. É um local interessante para observar quão importante para os japoneses é essa questão otaku.
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Bairro de Akihabara, em Tokyo, centro de mangás, animes e afins.

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Pokemóns no bairro de Akihabara, em Tokyo, centro de mangás, animes e afins.

  • Templo Senso-ji: localizado no distrito de Asakusa, é o templo budista mais antigo de Tokyo, datado do ano 645. Apesar de completamente destruído por bombardeios durante a Segunda Guerra, o local foi totalmente reconstruído e hoje é o lugar sagrado mais visitado do mundo, com cerca de 30 milhões de visitantes por ano. Só para se ter uma ideia, a Catedral de Notre Dame, em Paris, igreja mais visitada da Europa, recebe anualmente “somente” 13 milhões de pessoas. É um local muito bonito e relativamente tranquilo, mesmo estando no meio de uma cidade gigante como Tokyo.
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Templo Senso-ji, no bairro de Asakusa, em Tokyo. É o lugar sagrado mais visitado do mundo.

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Templo Senso-ji, no bairro de Asakusa, em Tokyo. É o lugar sagrado mais visitado do mundo.

  • Skytree: com 634 metros de altura, sendo a maior estrutura do Japão e segunda maior do mundo (somente atrás do Burj Khalifa), essa torre serve tanto como torre de transmissão como torre de observação. A Skytree foi completada em 2012 e possui uma arquitetura bem futurística, com uma base triangular que vai se arredondando com a altura (aos 320 metros de altura, a torre é completamente circular). É bem interessante de se ver. Para subir, porém, o preço é bem salgado (entre 20 e 30 dólares, dependendo do andar que se quer visitar). Por conta disso, acabei não subindo na torre.
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Torre Skytree, em Tokyo. É a maior estrutura do Japão e a segunda maior do mundo. Fica difícil até de tirar foto, devido ao tamanho.

  • Shibuya: um dos bairros mais famosos de Tokyo, Shibuya é um local bastante movimentado. Abriga muitas lojas e negócios, além das duas mais movimentadas estações de trem do mundo: Shibuya Station (com 2,4 milhões de passageiros por dia) e a Shinjuku Station (com 3,6 milhões de passageiros por dia). O bairro também possui muitos bares e restaurantes, que podem ser uma boa pedida após uma exploração do local. Outro ponto de interesse é o Shibuya Crossing, icônico cruzamento no qual 2.500 pessoas cruzam simultaneamente, localizado próximo da saída do metrô. É coisa de louco. Ali perto há também a estátua de Hachiko, um cachorro japonês famoso pela lealdade a seu dono (por quem esperou por 9 anos após sua morte). Essa estátua é bem simpática e é um ponto de encontro na região. Outra atração do distrito é a área de Harajuku, point dos jovens e adolescentes japoneses. Esse local conta com muitas lojas voltadas a esse público e também merece uma visita rápida.
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O agitado bairro de Shibuya, em Tokyo.

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O famoso Shibuya Crossing, em Tokyo. Cruzamento de pedestres mais movimentado do mundo.

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Estátua Hachiko, simpático cachorro Hachiko, em Shibuya, Tokyo.

  • Shinjuku: outra região bastante movimentada, Shinjuku é um dos distritos mais importantes de Tokyo do ponto de vista financeiro. Diversas empresas possuem sua sede em Shinjuku: Olympus, Epson, Subaru e Nissin Foods são apenas alguns exemplos dessas companhias. Além de uma importância comercial, Shinjuku também possui atrações do ponto de vista gastronômico. Como exemplo, há uma área chamada Shinjuku Golden Gai, no distrito de Kabukicho, em Shinjuku, que é muito especial. Lá, cerca de 270 bares minúsculos estão espalhados em 6 quarteirões cortados por ruazinhas bem estreitas. São bares muito raiz, com capacidade para no máximo 10/12 pessoas, que servem petiscos típicos japoneses, acompanhados por cerveja (ou saquê). É uma ótima pedida para uma noite na capital japonesa.
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Ruazinhas estreitas de Shinjuku Golden Gai, uma ótima pedida para sair à noite e provar comidas japonesas em Tokyo.

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Jantando petiscos japoneses na área de Shinjuku Golden Bai, em Tokyo. O local é uma ótima pedida para se conhecer a culinária local.

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Saquê em um típico bar de Shinjuku Golden Gai, em Tokyo.

  • Rappongi: outro distrito, é o dos locais onde se encontra a vida noturna de Tokyo. É bastante frequentada por japoneses, como também por turistas gringos. Quando fui a Tokyo, acabei indo a uma dessas festas de Rappongi e até que foi interessante para conhecer uma balada japonesa. O único porém foi o interior do local, já que as pessoas podem fumar e acabam deixando um cheiro horrível lá dentro.
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Distrito Rappongi, em Tokyo: o local é conhecido pela sua vida noturna.

  • Tokyo Station: principal e mais movimentada estação de trem do país, com mais de 3000 trens por dia, seu edifício possui uma bela fachada, feita de tijolos aparentes.
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Tokyo Station, principal estação de trem da cidade.

  • Palácio do Imperador (Imperial Residence): bastante próximo da Tokyo Station, está localizado numa área de 115 hectares, que parece um parque. É a principal residência do Imperador do Japão e abriga, além do principal palácio, museus e escritórios administrativos. É um local bastante bonito que, infelizmente, não é usualmente aberto ao público.
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Parte do local que abriga o Palácio do Imperador em Tokyo, no Japão.

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A bela ponte Seimon Ishibashi bridge, que leva à entrada principal do Palácio Imperial, em Tokyo.

  • Karaokê: além dos pontos turísticos de Tokyo já mencionados, outro passeio imperdível na cidade é conhecer um típico karaokê japonês. Geralmente bastante tímidos no dia a dia, o karaokê é o local onde os japoneses acabam se mostrando de verdade. Como sou um péssimo cantor, preferi assistir aos japoneses cantarem, mas para quem gostar de cantar, a experiência pode ser ainda melhor.
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Uma típica noite num karaokê japonês, em Tokyo.


Arredores de Tokyo

Além de visitar a cidade em si, também passei um dia em Machida, que fica na região metropolitana de Tokyo, e pude visitar algumas atrações mais distantes, menos turísticas e bem mais autênticas:

  • Templo Tokoji: localizado no alto de uma colina, esse templo budista me pareceu um local muito tranquilo, que emana calma. Não encontrei muitas informações sobre ele, mas gostei bastante de visitá-lo. Há esculturas e várias inscrições em japonês (das quais não entendi absolutamente nada). Com certeza, conhecer um templo assim é uma das opções quando se visita o Japão.
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Templo Tokoji, em Machida, nos arredores de Tokyo.

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Templo Tokoji, em Machida, nos arredores de Tokyo.

  • Satoyama: outro passeio que achei que valeu muito a pena foi o de visitar uma satoyama. Esse termo japonês é aplicado a áreas de transição entre montanhas e áreas de agricultura, geralmente bastante pequenas e que possuem uma integração entre diferentes usos da terra. É muito interessante observar que há áreas rurais tão próximas de Tokyo e que, realmente, parecem estar no interior, bem isoladas. Na satoyama que fui, havia plantações variadas, além de uma bela floresta com bambus. Foi uma experiência maravilhosa, que recomendo para se conhecer um pouco do Japão rural (mas não tão longe das cidades).
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Satoyama nos arredores de Tokyo. Na foto, é possível perceber as pequenas áreas cultivadas, bastante próximas a florestas.

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Floresta de bambu em uma satoyama nos arredores de Tokyo.

Visão geral

Para mim, ter a possibilidade de conhecer o Japão foi algo sensacional. É um local tão distante, com uma cultura tão diferente da qual estamos acostumados, que tudo que eu vi e vivi no país na semana em que estive lá foi bastante especial.

A culinária japonesa é algo que merece uma menção à parte. Pessoalmente, adoro a comida japonesa que temos aqui no Brasil e não imaginava que a japonesa seria muito diferente. Provar os pratos autenticamente japoneses, porém, foi uma grata surpresa. Tudo é bastante simples, mas ao mesmo tempo muito saboroso. O sushi, por exemplo, me surpreendeu bastante. O sushi japonês é bastante simples, feito somente de arroz com peixe (ou algum fruto do mar), diferentemente dos sushis brasileiros que levam cream cheese, coisas fritas, etc, etc – e é MUITO bom!

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Sushis de camarão, lula, atum e outros peixes, em Tokyo, Japão.

Além de diversos tipos de sushi que comi, eu tentei provar todas as outras comidas que via. Com essa mentalidade, experimentei sashimi (peixe cru), ramen (sopa com macarrão japonês), guioza (bolinho recheado com carne e vegetais), atum grelhado, yakitori (espetinho), takoyaki (bolinho de polvo), oniguiri (bolinho de arroz em forma de triângulo) e outras coisas mais. Algumas eram melhores do que outras, mas, no geral, tudo era muito bom.

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Ramen acompanhado de guioza, gohan (arroz) e salada de pepino. Uma das comidas sensacionais que comi em Tokyo.

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Macarrão (cujo nome não lembro) que comi em Tokyo. Em sua maioria, as comidas japonesas são, bastante leves e saudáveis.

Outra coisa que me surpreendeu muito no Japão foi a tecnologia, princialmente no que diz respeito às tecnologias sanitárias. Digo isso, porque em TODO e QUALQUER banheiro japonês, há privadas eletrônicas. Elas ejetam um jatinho de água para limpar as partes de cada um e geralmente também oferecem a possibilidade de colocar uma música para encobrir os ruídos. Sempre que eu ia a um banheiro no Japão me sentia em um ambiente bastante futurístico, por isso acabei tirando várias fotos de vasos para mostrar às pessoas aqui no Brasil…

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A moderna privada japonesa. Do lado direito, fica o “painel de controle”, todo eletrônico.

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O painel de uma privada japonesa. As opções incluem: descarga e descarga leve; jato na frente e atrás, privacidade (música), controle da pressão e controle do volume da música. Chega a ser cômico utilizar esse tipo de vaso pela primeira vez.

Em relação aos japoneses, todos me pareceram muito cordiais, simpáticos e educados, estando sempre à disposição em caso de necessidade. Na minha opinião, porém, me pareceu que são educados até demais, não me parecendo tão espontâneos. Pode ser que seja uma impressão inicial (pelo pouco tempo que estive no país), mas acho que nós brasileiros poderíamos exportar um pouco da malemolência e do gingado brasileiro para o Japão. Provavelmente, as coisas deixariam de funcionar tão bem como funcionam (tudo é mega pontual e organizado), mas as pessoas seriam mais naturais. Será que vale a pena a troca?

Tokyo é uma cidade muito curiosa. Tudo funciona muito bem, é mega segura e muito organizada (único problema que vi foi a falta de transporte público noturno). É uma cidade enorme, muito tecnológica, mas ainda bastante ligada às tradições milenares japonesas. Realmente, é um local único.

Com certeza, foi uma viagem que adorei fazer e que valeu muito a pena para poder conhecer um pouquinho mais desse país tão rico, cultural, gastronômica e historicamente. Infelizmente, como só fiquei por lá por uma semana, não pude explorar o Japão como um todo, então vai ter que ficar para a próxima. De qualquer forma, recomendo visitar Tokyo e arredores e explorar suas atrações, desde as mais visitadas e famosas, até as menos conhecidas. Programe-se bem financeiramente (pois é um país caro) e vá! Sem dúvidas, para aqueles que se interessam por culturas diferentes, será uma experiência maravilhosa.

Caso tenhas dúvidas ou sugestões, pode deixar um comentário aqui embaixo.

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