Roteiro de 10 dias na Jordânia: o que visitar além de Petra

Quando pensamos na Jordânia, país no Oriente Médio, a primeira coisa que nos vem à mente é Petra, uma das maravilhas do mundo moderno. O país, porém, tem muito mais a oferecer, com muitos lugares históricos, além de uma culinária espetacular. Estive no país por 10 dias e deu para visitá-lo praticamente inteiro, já que não é muito grande. Então, vamos lá ver um roteiro com os melhores lugares para se visitar na Jordânia.

A história da Jordânia

Encravada no Oriente Médio, a Jordânia é um país com bastante história. Desde muito tempo atrás sendo habitada (mais de 200.000 anos), a Jordânia já foi dominada por várias civilizações ao longo da história, devido à sua posição estratégica e proximidade com Impérios poderosos ao longo da história.

Além dos Nabateus, um povo que teve uma grande área de influência e que estabeleceu Petra como sua capital no ano 312 a.C, a Jordânia também foi parte do Império Romano por cerca de 400 anos, o que também deixou muitas ruínas até os tempos de hoje.

Depois da dissolução do Império Romano, a Jordânia ainda fez parte do Império Bizantino por mais alguns séculos antes de ser finalmente conquistada pelos árabes em 629. Deste modo, a Jordânia fez parte do Império Otomano até o fim da Primeira Guerra Mundial, momento em que o país se tornou uma colônia da Inglaterra. Foi somente algumas décadas depois, em 1946, que a Jordânia conseguiu sua independência, status que conserva até os tempos de hoje.

Atualmente com pouco mais de 11 milhões de habitantes, é interessante notar que cerca de 20% da população é composta por refugiados palestinos, que fugiram de seu país com a invasão por parte de Israel. Por conta dessa proximidade e identidade muito parecidas com o povo palestino, é muito perceptível como os jordanianos não são fãs de Israel. Em qualquer conversa com os locais, isso fica muito claro, sendo que a maioria nem reconhece Israel como um país.

Depois desse rápido resumo histórico, é hora de passar para as informações mais práticas de uma visita à Jordânia.

Como entrar na Jordânia

A partir da Europa, há muitos voos rumo à Jordânia, inclusive com empresas low-cost, como a Ryanair, que opera voos com boa frequência saindo de várias capitais. Também dá para entrar pela Palestina (via terrestre) ou pelo Egito (de barco), mas essas são opções mais diferentonas.

Apesar de ter alguns voos bastante em conta, a Jordânia em si não é um país muito em conta para mochileiros como eu. Para entrar no país, é preciso fazer um visto, que quando comprado justamente com a entrada para Petra, sai por cerca de 100 euros. Esse esquema acaba sendo interessante para quem fica mais de 4 dias no país, dando para economizar um pouquinho. Para mais informações, é só acessar o site do JordanPass aqui.

Além do custo de visto, os deslocamentos dentro do país também têm um preço bastante salgado, em comparação a níveis europeus, inclusive. As passagens para viagens curtas, de 1 a 2 horas, podem sair por até 20 euros. Além disso, não há transporte público para todo o país, então às vezes a única opção que sobra é alugar um taxi, o que deixa tudo ainda mais caro.

Roteiro de 10 dias na Jordânia

Em 10 dias na Jordânia, é possível visitar o país todo praticamente, e foi isso que fiz. Aqui tem o mapa com os lugares por onde passei:

Na viagem, cheguei por Amã e estabeleci a capital do país como base para visitar os arredores. Por conta disso, fiquei ali por 4 noites, o que me permitiu visitar, além de Amã propriamente dita, Jerash, com suas muitas ruínas romanas, Madaba, cidade com o mapa mais antigo do mundo, o Parque Wadi Mujib e o Mar Morto. Depois, seguindo em direção ao sul, fui para a famosíssima Petra, e depois desci até Aqaba, às margens do Mar Vermelho. Por fim, antes de voltar à Amã, passei pelo deserto de Wadi Rum.

Vamos então a cada um desses lugares com seus destaques:

Amã

Capital da Jordânia e maior cidade do país, com praticamente metade da sua população, Amã é uma cidade bastante caótica, porém tem seu charme. Apesar de não ter assim tantas atrações turísticas, serve muito bem como base para explorar outras áreas do país.

Na minha opinião, a parte mais interessante de Amã são seus souks, que são mercados que vendem um pouco de tudo: comida, artesanato, roupas, coisas para a casa e assim vai. Caminhar por suas vielas e observar a vida das pessoas por ali nos dá uma ótima impressão da cultura e dos hábitos do país.

Outro lugar que recomendo muito é o Teatro Romano, também bastante próximo do centro da cidade. Construído no século 2, sua estrutura comportava mais de 6000 espectadores. É realmente bonito e o mais incrível de tudo é o fato de estar encravado na cidade e cercado por construções mais modernas. Vale muito a pena de visitar.

A Cidadela, localizada no topo de uma colina de onde se vê toda a cidade também vale a pena de ser visitada. Habitada desde a Idade de Bronze, há resquícios de diversas civilizações lá em cima, de romanos a árabes, passando pelos bizantinos. O ponto alto da visita são as colunas que sobraram do grandioso Templo de Hércules, além, é claro, da vista maravilhosa que se tem da cidade.

Para quem curte museus, o Museu da Jordânia (Jordan Museum) é maravilhoso, e conta como ocorreu a ocupação do território ao longo dos anos, desde a pré-história até os dias de hoje. Gostei bastante, porque deu realmente para aprender muito sobre a história e cultura jordanianas.

Além das ruazinhas no centro da cidade, caminhar pela Rainbow Street no bairro de Jebel Amman é outro passeio que vale muito a pena. Lá, há uma grande variedade de restaurantes e lojinhas hipster, sendo basicamente a Vila Madalena de Amã.

A capital da Jordânia também tem ótimas opções para quem gosta de comer, como é meu caso. Alguns dos lugares que mais curti foram o famosíssimo Hashem, com seu hummus delicioso, além do Al Quds, que fica na Rainbow Street e vende sanduíche de falafel e do despretensioso e escondido Alzamer, que vende vários pratos deliciosos a preços mais do que populares. Comida boa é o que não falta em Amã.

Wadi Mujib e o Mar Morto

O Mar Morto é super famoso. Quem nunca ouviu falar do “Mar” (que é na verdade mais uma espécie de lago salgado) em que é impossível afundar e que tem propriedades medicinais? Como a Jordânia compartilha tal lago com a Palestina, resolvi ir visitá-lo em um bate-volta saindo de Amã.

Para visitar o Mar Morto, uma das opções é pegar um busão que sai de Amã em direção a um dos resorts que fica ali na beira do mar. O problema dessa opção é que não é super prática, já que obriga o visitante a ficar lá o dia inteiro imóvel, esperando enquanto o busão não volta.

Por conta disso, acabei fechando um taxi com um pessoal do hostel para visitar não só o Mar Morto mas também a Reserva da Biosfera de Wadi Mujib. E devo dizer que valeu muito a pena!

Wadi Mujib não é nada mais nada menos do que um vale por onde passa um rio, e por onde visitantes podem caminhar até chegar a uma cachoeira. Suas paredes são praticamente verticais, o que dá uma vista muito legal. O percurso todo tem 2km e inclui algumas partes a nado e pequenas escaladas. É uma coisa que pessoalmente eu não fazia ideia que existia, mas que no final acabou estando, sem dúvidas, no meu top 3 da Jordânia.

Depois de umas 2 horas para ir e voltar ao longo do rio, seguimos viagem até um dos resorts localizados à beira-mar, O Beach Hotel and Resort Dead Sea. Infelizmente, todas as praias de onde se pode acessar o mar são privadas, ou seja, tem que pagar para entrar. Apesar disso, esse hotel é um dos que cobram menos (cerca de 10 euros).

(tentar) Nadar no Mar Morto é uma experiência muito esquisita. Como a água é muito salgada, sua densidade é enorme, então o corpo humano flutua sem o mínimo esforço. Além disso, sua consistência é bastante estranha, parecendo meio pegajosa. De qualquer maneira, tenho que admitir que é uma experiência que vale muito a pena, já que é algo muito diferenciado. Ou seja, mesmo sendo caro e sendo uma atração mega turística, é algo que se deve fazer ao visitar o país.

Como já comentei antes, a Jordânia não é um país nada barato. Só para ilustrar isso, esse passeio de bate-volta me custou a bagatela de uns 75 euros, incluindo o taxi, entrada para Wadi Mujib (uns 20 euros) e entrada para o Mar Morto (mais uns 20 euros).

Jerash

Atualmente uma cidade sem grande importância na Jordânia, Jerash já foi um importante centro comercial do Império Romano muitos anos atrás. Por conta disso, hoje a cidade conta com as ruínas romanas mais bem conservadas do país. Inclusive, tem gente que a chama até de Pompeia da Ásia.

Pessoalmente, eu amei o passeio por Jerash. As ruínas romanas contam com teatros em ótimo estado de conservação, além de ruas, pórticos, fontes e construções que realmente nos dão uma ideia de como era a vida por ali. Além disso, por não ser enorme, é um bom plano de passeio para meio período, saindo de Amã, que está localizada a pouco mais de 1 hora das ruínas.

O único porém em relação à visita a Jerash fica por conta do transporte. As vans em direção à cidade não são muito frequentes e geralmente demoram muito para sair. Eu tentei chegar cedo na rodoviária de Jerash para pegar a primeira van, mas acabei esperando mais de 2 horas dentro, até decidir dividir um taxi com outros turistas perdidos por lá.

Para voltar, foi ainda mais caótico, já que peguei uma van que me fez descer no meio do caminho para pegar outra van que me largou num lugar aleatório de Amã. Tudo isso numa comunicação precária em que todo mundo falava árabe e eu tentava fazer mímicas para ser entendido. Por isso, a dica que deixo seria de tentar organizar o transporte de ida e volta em Amã mesmo para não ter esses perrengues.

Madaba

Outra cidadezinha que poderia passar despercebida numa visita mais rápida à Jordânia é Madaba. Localizada a pouco mais de 30km de Amã, Madaba é um lugar espetacular para quem gosta de história. Isso porque o centro histórico da cidade conta com várias construções da época bizantina, incluindo uma infinidade de igrejas.

Além de contar com uma das maiores comunidades cristãs da Jordânia, que convivem em harmonia com os muçulmanos, Madaba tem também um tesouro muito bem guardado: o mapa mais antigo da região da Palestina. Datado do século 6, esse mapa é um belo mosaico localizado no chão da Igreja de São Jorge, no centrinho da cidade. É impressionante observar como o mapa é bastante preciso, além de ser surpreendente o seu estado de conservação. Sem dúvidas, uma das belas e aleatórias surpresas que a Jordânia oferece aos turistas.

Petra

Considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, junto com Coliseu, Cristo Redentor, Machu Picchu, Taj Mahal e demais atrações, Petra iguala seus companheiros nessa lista e é realmente um lugar de tirar o fôlego para qualquer turista, desde os mais iniciantes até os mais experientes.

Realmente, é difícil descrever a capital dos Nabateus, que foi fundada mais de 2300 anos atrás. Quando pensamos em Petra, o que nos vem à mente é o maravilhoso Tesouro, encravado no meio de uma pedra enorme.

A verdade, porém, é que Petra tem muito mais a oferecer, incluindo uma infinidade de construções entalhadas nas montanhas da região, que serviam para tudo, desde templos até as próprias residências desse surpreendente povo, que habitou a região por cerca de 800 anos, até o lugar ser abandonado no século 6 d.C.

Em Petra, o que não falta é lugar para visitar. Por conta disso, é um daqueles lugares em que se caminha muito. Quando visitei as ruínas, andei mais do que 40km, já que quis fazer tudo num mesmo dia.

A partir da entrada principal, são cerca de 1.5km até chegar ao Siq, um caminho incrível que passa pelo meio de paredões de rocha enormes. Seguindo por este caminho se chega ao local mais famoso de Petra, o Tesouro (Treasury). Entalhado nas rochas para servir como uma tumba, seus detalhes e seu tamanho impressionam qualquer um.

Apesar de ser um dos pontos altos de Petra, há muito mais do que o Tesouro para se descobrir. Seguindo à direita, há mais de 40 tumbas de tamanhos variados, além de um Teatro que tinha capacidade para mais de 7000 pessoas.

Ali perto do teatro, inclusive, começa uma trilha de alguns quilômetros até o Altar do Sacrifício, lugar onde eram sacrificados animais para os Deuses. A trilha passa por alguns outro monumentos interessantes, como um obelisco entalhado nas pedras e muitos outros túmulos interessantes, onde até dá pode entrar.

Outro lugar muito impressionante de Petra é o Monastério, mais uma construção grandiosa encravada nas pedras e que serviu inicialmente como uma tumba – e depois como uma Igreja Bizantina. O caminho até lá é por meio de escadas, e leva uns bons 45 minutos para chegar.

Por fim, outros lugares que merecem um destaque especial são as Tumbas Reais, conjuntos de tumbas bem ornamentadas, além da rua de Colunas, que tem construções por todos os lados, como o Grande Templo e o Templo de Leões Alados.

Além de tudo isso, Petra também oferece mirantes maravilhosos para aqueles que curtem subir escadas e caminhar bastante. Há alguns pontos de onde se pode ver o Tesouro de cima, assim como o Monastério. Vale muito a pena para se ter uma ideia da grandiosidade desses locais de uma maneira mais tranquila, já que há menos turistas nesses lugares mais altos.

Em relação à acomodação, Wadi Musa é a cidadezinha mais próxima à Petra e que serve como base para turistas ali. Há ônibus diários de Amã para Petra, assim como minivans que fazem o percurso (sendo segunda opção muuuito mais raiz e imprevisível).

Aqaba

Localizada no extremo sul da Jordânia, às margens do Mar Vermelho, Aqaba fica praticamente ao lado de Eilat (Israel) e na frente do Egito, de onde saem barcos diariamente com direção à cidade. Apesar de ser um destino bastante importante no país para aqueles que buscam nadar num mar “normal”, pessoalmente não achei Aqaba nada de mais.

Aqabou (desculpa pelo trocadilho) sendo uma cidade bastante normal, sem muitas atrações imperdíveis e com praias muito ordinárias, nada de especial. Para falar a verdade, o que mais gostei em Aqaba foi de ver como as famílias locais curtem a praia: homens com roupas de banho normais, enquanto as mulheres usam burkini, todas cobertas. Foi bem interessante de se ver.

Em relação aos pontos turísticos, Aqaba é muito conhecida por ser um destino de mergulho (que acabei não fazendo). Além disso, conta com ruínas (não muito conservadas) do que dizem ser a igreja mais antiga do mundo, a Igreja de Ayla. Fora isso, tem também um forte e um mastro de bandeira enorme, o oitava mais alto do mundo, com 130 metros de altura e que pode ser visto do Egito, Arábia Saudita e Israel.

Wadi Rum

Minha última parada na Jordânia antes de retornar à capital Amã foi no deserto de Wadi Rum, bastante famoso e visitado por quase todos os turistas que vão ao país.

O deserto oferece paisagens bastante diferenciadas, que lembram a Lua e por isso chamam muito a atenção de quem o visita. Eu, porém, devo admitir que não achei muito especial, talvez porque já tinha visitado antes o maravilhoso Salar de Uyuni, na Bolívia, além do Saara, no Marrocos. É bonito, mas não achei nada de mais.

De qualquer forma, acabei passando pro lá para ver principalmente as estrelas, já que desertos normalmente tem uma visibilidade muito boa, mas não tive muita sorte no final, já que estava um pouco nublado. Mas deu para caminhar um pouquinho pelas formações rochosas e também para comer comidas típicas dos beduínos que vivem ali há gerações.

Como ficou o roteiro então?

Dia 1: Chegada em Amã pela noite (pernoite em Amã)

Dia 2: Explorando Amã (pernoite em Amã)

Dia 3: Mar Morto e Wadi Mujib (pernoite em Amã)

Dia 4: Jerash e van para Wadi Musa (pernoite em Wadi Musa)

Dia 5: Explorando Petra (pernoite em Wadi Musa)

Dia 6: Van para Aqaba (pernoite em Aqaba)

Dia 7: Explorando Aqaba (pernoite em Aqaba)

Dia 8: Van para Wadi Rum (pernoite no deserto)

Dia 9: Van para Madaba e Amã (pernoite em Amã)

Dia 10: Saída de Amã pela manhã

E a comida?

Como sou apaixonado por comida, uma das melhores partes para mim na Jordânia foi comer. Bastante parecida com a comida libanesa que comemos no Brasil, a comida jordaniana não decepciona.

Nos 10 dias em que estive lá, comi tudo que vi pela frente – e resolvi anotar os nomes. Rolou de tudo mesmo. Começando pelos clássicos, teve hummus (pasta de grão de bico), falafel (bolinho de grão de bico frito), babaganoush (pasta de berinjela), tabule (taboulleh), coalhada seca (labneh), shawarma (um primo do churrasco grego), kibe (kibbeh) e charutinho com folha de uva (warak enab).

Já os pratos mais diferenciados, que nunca tinha provado antes, incluíram mansaf (arroz com carne de cordeiro cozida em um molho de iogurte seco fermentado), fatteh (um tipo de hummus misturado com pão), kousa mahshi (abobrinha recheada com carne e arroz), ful (um prato à base de fava), manakesh (uma espécie de esfiha gigante, do tamanho de uma pizza), maqluba (um mix de arroz com cordeiro e verduras), além do zarb (prato típico beduíno que consiste em carne de cordeiro cozida embaixo da terra e servida com legumes e arroz).

Como sobremesa, nada bate o kunafeh, um doce feito à base de semolina, com caramelo por cima e muito queijo por baixo. Em Amã, inclusive, há um lugar super famoso que serve o doce, o Habibah Sweets. A fila do lugar é sempre grande, mas o serviço é muito rápido, então recomendo a experiência. É um doce muito bom mesmo (e olha que nem gosto de doce geralmente).

Visão geral

De forma geral, gostei bastante da Jordânia. A culinária do país é simplesmente espetacular e só por isso já valeria a pena visitar a Jordânia. Somado a isso, temos Petra, que é um daqueles lugares no mundo que precisam ser visitados uma vez na vida, antes de morrer. Observar a grandiosidade das ruínas, muito bem conservadas, no meio do nada, não tem preço.

Apesar de ter gostado bastante do país, devo ressaltar aqui um ponto que me deixou muito incomodado: a impressão (que no final das contas não é só impressão, mas é fato) de ser enganado a todo instante como turista.

Explico: para aqueles turistas que não falam árabe, os jordanianos sempre cobram a mais pelas coisas e isso é bastante chato. E não é só para produtos que compramos como souvenirs, mas para tudo mesmo. Desde táxis até hotéis, passando pelo transporte público, sempre senti que estavam passando a perna em mim (e este não é um sentimento legal como brasileiro).

Pessoalmente, não acho justo que cobrem o dobro ou o triplo numa viagem de van só pelo fato de ser de outro lugar. Também não gosto de ter que ficar negociando 100% do dia, é muito cansativo e enche o saco. Teve momentos, inclusive, que preferi não comprar nada só para não ter a dor de cabeça de ficar barganhando o preço.

Para exemplificar como é chato, conto uma pequena história que mostra bem isso. Certo dia, eu estava num hotel em Wadi Musa, cidade base para se visitar Petra, e seguiria viagem para Aqaba. Pois bem, conversando com o gerente do hotel, ele me disse que não haveria van para Aqaba no dia seguinte por ser sexta-feira e que eu deveria pegar um táxi, que era o quíntuplo do preço. Como são pão-duro, comecei a rodar por outros hotéis para ver se tinha algum outro turista mão-de-vaca querendo compartilhar o taxi para não sair tão caro. Chegando num hotel, o dono me falou que a van saía todo dia sim, e que o gerente queria me passar pra trás. Voltei pro hotel, falei isso pro gerente e ele falou que não era certeza que haveria a van, mas que eu poderia pagar um dinheiro pra ele pra ele ligar pro motorista e reservar uma vaga pra mim. No final das contas, acabei indo por conta própria até a rodoviária e a van estava lá. Ou seja, não precisei pegar taxi, nem reservar antes.

Mas a história não termina por aí. Eu já sabia que o preço normal da van era 5 dinars (uns 7 euros), então cheguei prevenido. Quando embarquei na van, o motorista depois de um tempo veio me falar que eu deveria pagar 15, porque a van estava vazia. Falei que poderia pagar no máximo 10 e que poderia esperar encher, sem problemas. Acabou que ele aceitou contrariado os meus 10 dinheiros (o dobro de todos os outros passageiros locais) e seguimos viagem. Isso mostra que, infelizmente, nem tudo são mil maravilhas quando se viaja, mas faz parte. Temos que relevar e tentar curtir da melhor maneira possível.

Mesmo sendo chatinhas, essas pequenas coisas não diminuem o fato de que a Jordânia é um país muito bonito, cheio de história e que merece, sim, ser visitado. Por isso, acho que valeu muito a pena ter passado esses 10 dias por lá.

Esse post é a primeira parte da série de posts do segundo mochilão desse humilde blog, que durou 67 dias. Para ver os demais posts, é só clicar aqui.

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